[Re]leitura - A marca de uma lágrima

21:34

Eu ainda estou em clima de Dia dos Namorados e mexendo na minha estante, procurando por um romance leve para ler, encontrei um exemplar que ganhei a pouco tempo de uma amiga. Engraçado como ele vive indo e vindo na minha vida. Antes de começar essa resenha, eu quero dividir com você uma paixão de anos (e acredite, eu dei uma olhada pela internet, não foi só comigo que aconteceu essa paixão).


Meu primeiro contato com esse livro, eu devia ter entre 11 e 12 anos de idade e foi na biblioteca do meu antigo colégio. Quando pequena eu lia compulsivamente, e em uma das minhas expedições pelas estantes da escola eu encontrei esse livro de título forte. Li a sinopse e o que me chamou a atenção foi que percebi que o livro se parecia muito com outra história que eu havia lido (e, claro, amado!). Quando iniciei a leitura (e terminei no mesmo dia), a sutileza e força dela fez com que eu nunca mais me esquecesse daquele título.

Anos depois, uma amiga estava fazendo uma baita faxina na casa dela e me mandou mensagem falando que tinha alguns livros que estavam jogados, se eu não queria alguns para mim e meus sobrinhos. É óbvio que aceitei e quando ela chegou com sacolas cheias deles, eu comecei o garimpo. Até que ele surge de dentro da daquela imensa confusão, surradinho, fininho como ele só, com uma capa diferente de quando eu conheci, mas a paixão veio à tona imediatamente e, claro, agora ele tem um lugarzinho na minha estante (coração).


Mas vamos deixar de papo e partir logo para o que interessa. Isabel é uma garota de 14 anos que tem problemas com a mãe e um inimigo muito comum entre garotas dessa idade: O espelho. Ela sofre de baixa autoestima e se inferioriza em relação à outras garotas que considera mais bonitas do que ela. Certo dia, Isabel é convidada para a festa de aniversário de um primo que não via há muito tempo e vai com a melhor amiga, Rosana. Lá, ela descobre que Cristiano, o primo que se lembrava da infância, cresceu e virou um belíssimo rapaz pelo qual ela se apaixona à primeira vista. Em dado momento da festa, Isabel fica um pouco embriagada e é beijada por um rapaz de braços fortes e quentes, acreditando ser seu primo. Mas toda trama começa quando Cristiano tira Rosana para dançar e dessa dança surge um romance entre os dois.

Para piorar ainda mais a desilusão de Isabel, Rosana pede para a amiga que escreva versos e poemas para que a paixão entre ela e Cristiano mantenha-se acessa, então Isabel coloca todo o sentimento que ela possui por Cristiano no papel para que Rosana o conquiste cada vez mais. No meio desse triangulo amoroso desajustado, surge Fernando, um garoto que Isabel conhece no aniversário de Cristiano e vive correndo atrás dela, mas a garota só tem olhos para o primo e agora namorado de Rosana, transformando Fernando em um amigo que sempre está ao seu lado para as situações que ocorrem em sua vida.

Como se Isabel já não estivesse passando por muitos conflitos em sua cabecinha adolescente, ela acaba no epicentro de um terremoto: O suicídio da diretora de sua escola. Mas, alguns fatos ocorridos e presenciados pela garota começam a levantar uma dúvida: Foi mesmo um suicídio? E com tamanha pressão sobre ela, a ideia de que sua vida pode estar próxima ao fim começa a sondar a mente de Isabel.


Pedro Bandeira encanta seus leitores pela escrita poética utilizada na construção do enredo. A maneira profunda como ele trabalha todos os dilemas vividos pela personagem principal, as conversas e reflexões que Isabel tem com o próprio reflexo no espelho são o exemplo mais claro disso, elas representam toda a angustia que a garota sofre e guarda dentro de si mesma, sem dividir com mais ninguém.

Está lembrado daquele outro livro que eu tive a impressão de ser bem parecido com esse? Pois depois de terminar de ler a obra de Pedro Bandeira, o próprio autor deixou uma nota no final do livro contando que “A Marca de uma Lágrima” é uma releitura de um romance francês chamado “Cyrano de Bergerac”, exatamente o livro que eu sentia que a história é bem parecida. Pedro conta que ele é tão apaixonado por essa história (assim como eu) que queria apresentá-la ao público brasileiro, mas não sabia como fazê-lo por conta de sua escrita rebuscada e difícil interpretação, daí ele começou a escrever para o público juvenil e nasceu Isabel e sua trama.

Apesar dos questionamentos que o autor mesmo se faz como, por exemplo, se um jovem de 12, 13 ou 14 anos pode se apaixonar verdadeiramente ou perdidamente, ele leva a paixão de Isabel de uma forma tão Shekespereana, fazendo com que a menina crie poemas (no caso, ele mesmo escreveu os poemas publicados) tão envolventes e apaixonantes, com tamanha verdade, pureza, entrega e inocência, que muita gente já se identificou ou se identificará com a situação de primeiro amor vivida pela romântica Isabel.

No mais, “A Marca de uma lágrima” é um livro que marcou minha infância, exatamente por ser tão doce, comovente e representar tão bem as mazelas que todos já vivemos nessa fase tão difícil que é a adolescência. Independente da sua idade e do público alvo do título ser os jovens, esse é o tipo de livro que encanta quem quer que o leia!


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