Lendo Clarice: Perto do Coração Selvagem

18:30



Olá, leitores!


Creio que ler uma obra clássica é sempre uma experiência gratificante e uma grande aventura, em muitos aspectos, claro. Ler Clarice foi uma experiência que definitivamente expandiu meu repertório como leitora, não só pelo fato de eu ter incluído mais um autor ao meu hall de leituras, mas também por se tratar de uma escrita muito peculiar.

Então, aqui eu pretendo colocar minhas impressões sobre a leitura e não fazer nenhum tipo de crítica, longe disso, provavelmente nem o formato de uma resenha o texto apresente, o que eu pretendo ao longo do projeto é compartilhar minhas experiências e opiniões sobre as leituras (futuramente, pretendo fazer um diário de leitura com esse projeto, mas isso é bem futuramente).


Quando iniciei o projeto Lendo Clarice, o fiz porque queria dar uma segunda chance (muito merecida) a essa autora renomada e que muitos amam. Lembro que minha primeira experiência lendo Clarice foi na sétima série, quando li o livro A Hora da Estrela para uma prova de literatura. Apesar do livro ter quotes maravilhosos, achei a leitura detestável e em quase nenhum aspecto o livro me cativou, por isso me mantive bem longe dos livros dela. Talvez tenha sido por uma falta de entendimento do sentido geral da obra.

Retornar e pegar o primeiro livro da Clarice Lispector foi um desafio. Em Perto do Coração Selvagem, temos a protagonista Joana o livro contém muitos trechos em fluxo de consciência, por isso o principal foco de narração não é a descrição da cena, mas sim dos sentimentos e pensamentos de Joana. Muitas vezes a narração se intercala entre a primeira e a terceira pessoa.


O enredo se foca na história de Joana e a acompanha da infância até a vida adulta. Joana é criada pelo pai, pois a mãe faleceu. O posteriormente, também falece e no início da sua adolescência tem de morar com a tia. Joana com sua personalidade inquieta causa certo estranhamento na tia, que não consegue lidar com ela e a manda para um internato. Quando sai do internato Joana se casa com Otávio e está grávida, mas também descobre que está sendo traída.

"Sua vida era formada de pequenas vidas  completas, de círculos inteiros, fechados, que se isolam uns dos outros." Pág. 101
A história se concentra nas inquietações de Joana e nos seus questionamentos sobre a existência, como também todas suas conclusões ou hipóteses sobre os acontecimentos que têm vivido.


"É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas. É essa talvez a marca do artista. Qualquer homem pode saber mais do que ele e raciocinar com segurança, segundo a verdade. Mas exatamente aquelas coisas escapam à luz acesa. Na escuridão tornam-se fosforescentes." Pág. 119
Essa minha primeira experiência tanto com um livro com fluxo de consciência como com a escrita da Clarice Lispector foi algo que me jogou para dentro da narrativa. Em muitas passagens do livro me sentia dentro da cabeça da Joana, o fato de não haver uma cronologia de início, meio e fim para o livro e também a construção das frases te dá uma maior verossimilhança com os pensamentos assim como eles o são.











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2 comentários

  1. Oii Le!
    Que feliz que você leu Clarice!
    Eu também tive certo receio de ler antes, porque também fui apresentava a ela na escola. Acredito que grande parte das obras clássica a gente só consegue gostar depois de atingir certa maturidade.

    E clarice é incrível, a escrita é definitivamente impecável, adorei♥

    Um beijo,
    Paloma
    surewehaveablog.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Paloma.
      Realmente Clarice exige certo nível de maturidade, mas depois que você entende não consegue mais largar. Não vejo a hora de terminar esse projeto e ter lido tudo dela.

      Beijos ;*

      Excluir

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