[CinematekaDaFani] Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, 2004)

13:30


Citação favorita da Fani:

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Evan: Eu apenas achei que você deveria saber.
Kayleigh Miller: Saber o quê?
Evan: Que você foi feliz uma vez...

Eu sei, eu sei, eu tenho estado sumida, mas a correria da faculdade e a vaga de emprego que apareceu para mim, nos últimos dias, têm feito com que eu fique um pouquinho sem tempo. Mas vamos falar sobre o post. Hoje é segunda-feira e dia do Cinemateka da Fani! Quem tem acompanhado o projeto já notou que a nossa cineasta de BH tem lá a sua queda por comédias românticas e animações clássicas da Disney. Porém, o longa da vez é totalmente diferente do que temos visto por aqui. A resenha de hoje é sobre "Efeito Borboleta" (The Butterfly Effect, 2004)



Sinopse:

Evan (Ashton Kutcher) é um jovem que luta para esquecer fatos de sua infância. Para tanto ele decide realizar uma regressão onde volta também fisicamente ao seu corpo de criança, tendo condições de alterar seu próprio passado. Porém, ao tentar consertar seus antigos problemas ele termina por criar novos, já que toda mudança que realiza gera consequências em seu futuro.
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Primeiro de tudo, "Efeito Borboleta" é aquele tipo de filme que não é possível resenhar sem dar alguns spoilers. Então, depois não diga que não avisei, ok?!

O longa vai narrar a história de Evan, um garoto que, aparentemente, sofre com distúrbios mentais que ele herdou do pai. Basicamente, esses distúrbios são lapsos de memória, em alguns momentos ele tem "apagões" e quando volta, simplesmente, não se lembra de nada do que ocorreu. Como recomendação do médico da família, que cuida do pai de Evan que está em um sanatório, o garoto passa a escrever diários para que os momentos não passem desapercebidos. E dessa forma, no primeiro ato do filme, acompanhamos a infância dele e de seus três amigos: Tommy, Lenny e Kayleigh, que acaba se tornando seu grande amor.

Da esquerda para a direita, Evan, Kayleigh, Lenny e Tommy quando crianças
Como toda criança, os quatro sempre se envolvem em encrencas comuns para a idade, porém até mesmo com problemas mais sérios, como pedofilia e psicopatia. É durante uma dessas encrencas que algo foge do controle dos garotos e as coisas se complicam. Sem saber como reagir, o que fazer e tentando evitar mais problemas, a mãe de Evan decide mudar de cidade, levando o garoto para longe de sua amada.

Sete anos depois, Evan está na faculdade, se dá bem com todos, é um prodígio na área de Psicologia (a qual ele estuda) e está todo esse tempo sem ter "blecautes". Até que, durante um encontro, ele relê seus antigos diários e "relembra" de uma passagem onde ele "apagou". Nesse momento ele percebe que ele não só lembrou do que havia acontecido, ele voltou no tempo.


O acontecimento é o gatilho para que Evan vá atrás de seus antigos amigos e seja pivô de um acontecimento, que irá motivá-lo, usando as lembranças registradas em seus diários, a voltar atrás e arrumar momentos que deram errado até aquele ponto. O início do filme é quase que um spoiler dele mesmo, ele abre com uma frase da teoria do caos: "O simples bater das asas de uma borboleta pode gerar um tufão no outro lado do mundo". A frase é forte, impactante, reflexiva. Nos faz parar para pensar nos atos falhos que cometemos, que naquele momento não pareceram impactar tanto em nossas vidas, mas a longo prazo, percebe-se o quão decisivos eles foram. Tanto em pequenas atitudes que tomamos durante uma determinada situação ou até mesmo perante a nossa omissão.

O longa sintetiza bem isso: Uma palavra pode levar ao suicídio, um confronto pode inibir uma violação, uma atitude pode levar alguém a depressão profunda, uma brincadeira impensada pode resultar na morte de um inocente. E algumas coisas podem ser trazidas para a nossa realidade: Uma escolha errada pode trazer consequências para você e pessoas que dependem do seu trabalho, um papel jogado no chão pode ser o estopim para causa da enchente, a sua omissão na briga de casal do seus vizinhos pode ser a brecha para uma violência.


O enredo traz inúmeros questionamentos sobre nossas ações, ele coloca em foco as situações que acreditamos que uma simples atitude não afetará ninguém. Toda vez que Evan volta no tempo e tenta consertar algo, alguém sempre sairá prejudicado, até ele mesmo. Esse aspecto do enredo nos faz entender que "toda ação tem uma reação" e que em um destino manipulável, certas consequências não têm volta.

O filme é carregado de uma conexão absurda, há uma sensação de que tudo está conectado. Evan estuda psicologia, onde pode-se deduzir que ele quer desvendar a psique humana, ou mais precisamente a sua, devido a seus lapsos de memória. Outro ponto que pode tê-lo motivado é a convivência com Tommy, que após uma análise bem simplista e nada profissional minha, tinha tendência a psicopatia devido seus atos de crueldade com a irmã, os amigos ou até mesmo quando ele queima o cachorro de Evan ainda vivo.

Apesar de toda a conexão, sempre em filmes que o enredo trabalha com a alteração de ações do passado que impactam o futuro, há furos, e "Efeito Borboleta" não é uma exceção. Em contrapartida, o enredo é tão bem trabalhado, as atuações e a dinâmica do longa são realizadas com tamanha excelência, que algumas contradições são passadas quase que imperceptivelmente.

Outro ponto que deve ser evidenciado, o longa possui finais alternativos. Eu havia assistido esse filme há alguns anos atrás, e no momento de assistí-lo com a Lelê para o Cinemateka eu até comentei mais ou menos como seria. Até que pá... me apareceu um final completamente diferente do que eu lembrava e fiquei com aquela cara de "mas gente, eu jurava que não era assim que terminava isso!". Então, quero avisá-los que existem 4 finais para esse longa. E particularmente, o final que vi com a Lelê é o que eu menos gostei. Para quem até esse momento não acreditava na genialidade e inteligência do filme ou, então, no fascínio e comoção que ele nos causa, acredito que essa é a cereja do bolo que faltava. Esses finais alternativos só reforçam o que o enredo nos disse durante todo o longa: Simples atitudes e escolhas podem mudar o final da história.


"Efeito Borboleta" nos faz repensar nossas atitudes, nosso pensamento comum de que "uma andorinha só não faz verão". Nos traz o fascínio da ideia e do desejo de poder voltar no tempo e arrumar o que deu errado em nossas vidas, mas nos esclarece e nos reensina uma lição que há muito já aprendemos e gostaríamos de crer que não: O destino muitas vezes é imutável. Afinal, por mais que as atitudes de Evan não o levassem para o mesmo caminho, sempre alguém saia prejudicado e, no final de tudo, o que ele mais queria poder consertar não foi possível: Ele não pôde ser feliz com o amor de sua vida, Kayleigh.

Depois de tudo, de subir as letrinhas dos créditos e de ficarmos olhando a tela preta digerindo o que acabamos de ver, a única pergunta que fica é: Se você pudesse voltar no tempo, o que você mudaria?





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